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O setor Premium e de luxo sobreviverá à COVID-19?

São muitas as tendências que mudaram nos hábitos gerais de consumo após a pandemia mundial causada pela COVID-19. Também se observou no setor do luxo e das marcas Premium, um dos que mais utilizam suportes em papel para transmitir emoções específicas ao seu público-alvo.

De que forma este mercado se adaptou a este momento particular? O luxo sobreviverá na era pós-Covid? Como influenciará os futuros padrões de consumo? A ‘Luxury Spain‘, uma associação sem fins lucrativos que reúne profissionais de empresas e marcas de luxo e gama alta, disponibiliza dados interessantes num relatório recente sobre “A era do luxo pós-COVID: Valores, Tendências, Hábitos do Consumidor”.

É evidente que a crise sanitária colocou em cheque este setor, que abrange a moda, a cosmética, as bebidas, os alimentos gourmet e a alta cozinha, a joalharia, etc.

Após um crescimento positivo no mercado asiático -com a China na dianteira- e modesto no mercado europeu em 2019, os primeiros surtos da epidemia na China logo seguidos dos de Itália, sede de algumas das marcas mais prestigiadas a nível mundial, afetaram consideravelmente a produção e as vendas do setor. O Indicador de Confiança do Consumidor (ICC) desceu aos 63,3% em março, o nível mais baixo desde julho de 2013 e, em Espanha, a quebra nas vendas foi de entre 80% e 95%.

Durante o confinamento, a tendência da compra deste tipo de bens teve um protagonista claro: o consumo online, enquanto se multiplicavam as ações solidárias das marcas de luxo nas redes sociais ou através da angariação de fundos para a investigação ou o fabrico de materiais de proteção, como máscaras ou gel hidroalcoólico. Na mesma linha movimentaram-se as marcas espanholas do setor Premium e de gama alta, com uma reputação consolidada como marcas tradicionais e de qualidade.

Mas, como será o futuro do setor? O relatório aponta alguns aspetos a ter em conta:

  • A força do local: a pandemia gerou uma maior consciencialização sobre a necessidade de comprar e consumir de forma local. Pela mesma razão, para garantir o aprovisionamento, as cadeias de fornecimento locais serão uma boa alternativa às internacionais.
  • O reinado do comércio eletrónico: alguns dos hábitos adquiridos durante o confinamento permanecerão, novamente com o comércio eletrónico como rei das tendências de consumo também no setor do luxo. Neste contexto, as marcas estão a apostar em força na personalização, tanto no produto final, como no processo de compra e nas estratégias de comunicação.
  • Menos mas melhor: os consumidores procurarão investir menos, mas em produtos de melhor qualidade, que assegurem a durabilidade ao longo do tempo. Da mesma forma, haverá uma maior aposta em produtos seguros, nos quais seja possível confiar.
  • Estética sustentável: a sustentabilidade no setor, o outro grande protagonista, traduzir-se-á numa tendência para a ética + estética, onde as marcas com “propósito” se posicionarão melhor.
  • Luxo silencioso: a sobriedade ganhará terreno em detrimento do ostensivo.

Seja como for, tudo parece indicar que o papel continuará a ocupar os lugares cimeiros no momento da seleção de um suporte que reflita a filosofia de uma marca Premium, de luxo ou de gama alta, associada aos conceitos de sustentabilidade, segurança, sobriedade e qualidade.

Créditos

Annie Lane England: Nettuno Pompelmo, Materica Ardesia
Laboratorio Silene: Materica Gesso, Arconvert Tintoretto Gesso
Viadeimille Parfume: Tintoretto Crystal

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