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A transmissão da COVID-19 através do papel é possível?

Durante meses demos muita atenção às superfícies dos objetos quotidianos que manipulamos por poderem transportar e transmitir o coronavírus que provoca a COVID-19. E, como amantes do papel, perguntamo-nos, podemos ser infetados pelo vírus simplesmente por tocarmos ou manipularmos a correspondência, as revistas ou as embalagens de papel?

Clarificámos algumas dúvidas com base em relatórios oficiais recentes sobre a transmissão do vírus através de papel, cartão e outras superfícies. Estes são alguns dos números que falam do seu potencial de transmissão.

Um estudo publicado no passado mês de abril em The New England Journal of Medicine, sob o título “Aerosol and Surface Stability of SARS-CoV-2 as Compared with SARS-CoV-1”, avaliou a estabilidade do SARS-CoV-2 em diversas superfícies, como plástico, aço inoxidável, cobre e cartão, comparando-a com a do vírus SARS-CoV-1, a estirpe do coronavírus mais próxima que também infeta humanos. Em superfícies de cartão, não foi detetado SARS-CoV-2 viável após 24 horas.

Foi possível detectar o vírus em aerossóis até três horas após a nebulização, podendo permanecer ativo durante até quatro horas em superfícies de cobre e até três dias nas de plástico e aço inoxidável. Ambas as estirpes apresentaram uma viabilidade relativamente mais longa em superfícies de aço inoxidável e polipropileno (plástico) em comparação com as de cobre ou cartão.

Um outro estudo publicado no mês de maio em The Lancet Microbe, intitulado “Stability of SARS-CoV-2 in different environmental conditions“, reportou que não foi possível recuperar vírus infeccioso em papéis de impressão e de uso sanitário após uma incubação de 3 horas.

Os resultados dos relatórios corroboram a própria Organização Mundial de Saúde (OMS), que afirma que “a probabilidade de uma pessoa infetada contaminar mercadorias é baixa e o risco de contrair o vírus que causa a COVID-19 a partir da manipulação de uma encomenda, que foi transportada e esteve exposta a diferentes condições e temperaturas, também é baixo”.

Deste modo, as condições de fabrico do papel, juntamente com os processos de impressão e distribuição, diminuem significativamente a quantidade de partículas viáveis capazes de infetar alguém, pelo que este material não é, em si, uma boa localização em termos de permanência e estabilidade do vírus.

Além disso, as investigações desenvolvidas até agora sugerem que o vírus sobrevive mais tempo em superfícies lisas e não porosas, como o plástico e o aço inoxidável. Por essa razão, a porosidade do papel e do cartão dificultam a transmissão do vírus.

Entretanto, e enquanto aguardamos novos relatórios sobre os dados conhecidos até agora, o segredo será sempre o cumprimento das recomendações governamentais para garantir a redução da transmissão de pessoa para pessoa.

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